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photo: Michel Yakini

soniabischain@hotmail.com

   Writer and photographer, lives in Vila Penteado, Brasilândia in the outskirts of São Paulo. She is the author of poems Rua de Trás (2009, 2nd edition expanded in 2015) and the novels Nem tudo é silêncio (2010) and Vale dos Atalhos (2013), and co-author of the photo book Cultura daqui, Olhares da Brasa (2015) along with Avelino Regicida and Enver Padovezzi.

   Escritora e fotógrafa, mora na Vila Penteado, Brasilândia, periferia de São Paulo, é autora do livro de poemas Rua de Trás (2009 e 2ª edição ampliada em 2015), e dos romances Nem tudo é Silêncio (2010) e Vale dos Atalhos (2013) e coautora do livro de fotografias Cultura Daqui, Olhares da Brasa (2015), juntamente com Avelino Regicida e Enver Padovezzi.

 
 
Freedom, Dream and Petry
Liberdade, Sonho e Poesia

There are voices that become silent

on the wrong side of life

in the empty bedroom

in the forgotten wishes.

 

There is silence in the lost look

in hurt thoughts

in bitter hearts

In folded hands.

 

There is ignorance in excess

in the eternal prison

of the stolen knowledge

of the denied memory.

 

There is violence stealing life

shooting fear

staining the ground

of blood and shame.

 

There are claims and anguish

in the chest broken by pain

in the unintelligible look

of misery and of hunger.

 

There is rage breaking out

of silenced phrases

in tired words

in prisons of egoism.

 

There is enough evil circling

in the emptiness of the soul

in the traps of the night

in the shadows of the day.

 

There are abandoned dreams

in the sleeping earth

in the forbidden mornings

in the witheld future

 

But there are shadows

that return from the deep well.

There are hands that make the ground sprout

the dry seed that becomes bread.

 

There is freedom in the cries

that echo around the city.

There are insatiable desires

converted in fights.

 

There are forged dreams

in the core of the soul

dreams that build

and rebuild the verse.

 

There is poetry pouring

from the song of those

breakdown the doors of the soul

and in all men

sow hope.

Há vozes que se calam

na contramão da vida

no quarto vazio

nos anseios esquecidos.

 

Há silêncio no olhar perdido

nos pensamentos feridos

nos corações amargos

nas mãos recolhidas.

 

Há ignorância em excesso

na prisão perpétua

do conhecimento furtado

da memória negada.

 

Há violência roubando a vida

disparando o medo

manchando a terra

de sangue e de vergonha.

 

Há apelo e angústia

no peito rompido pela dor

no olhar indecifrável

da miséria e da fome.

 

Há ódio jorrando

das frases silenciadas

nas palavras cansadas

nas prisões do egoísmo.

 

Há maldade sobrando

no vazio da alma

nas armadilhas da noite

nas sombras do dia.

 

Há sonhos abandonados

na terra adormecida

nas manhãs proibidas

no futuro retido.

 

Mas há sombras

que do fundo do poço retornam.

Há mãos que fazem brotar do chão

o grão seco que se torna pão.

 

Há liberdade nos gritos

que pela cidade ecoam.

Há desejos insaciados

convertidos em luta.

 

Há sonhos forjados

no cerne da alma

sonhos que constroem

e reconstroem o verso.

 

Há poesia vertendo

do canto daqueles

que arrombam a porta da alma

e em todos os homens

semeiam a esperança.

Sonia Bischain

Text originally published in the book / texto originalmente publicado no livro Rua de trás (2015)

Daniel's Drums

Solitary, silenced drums.

Mute drums! Pains…

Strange melody to liberate anguish

pour tears of good-bye.

 

The skillful touch of the fingers

over the leather, where did it go?

The drumming to recite prayers, where did it go?

The black hand praising the gods,

awakening men, where did it go?

 

Drums… sounds of war,

languages of struggle

announcing freedom, where did it go?

Mute drums? No.

 

The drums play in the power of the wind,

in the song of the waters.

The drums play

where the bodies turning into stars,

where the souls shine.

 

I hear the skillful touch of the fingers

over the leather of the drums

awakening men.

Os tambores de Daniel

Tambores solitários, silenciados.

Tambores mudos! Dores...

Estranha melodia a liberar angústias

vertem lágrimas de despedida.

 

O toque hábil dos dedos

sobre o couro, cadê?

O batuque a recitar preces, cadê?

A mão negra a cultuar deuses,

a despertar homens, cadê?

 

Tambores... sons de guerra,

linguagens de luta

anunciando libertação, cadê?

Tambores mudos? Não!

 

Os tambores tocam na força do vento,

no canto das águas.

Os tambores tocam

onde os corpos viram estrelas,

onde brilham as almas.

 

Ouço o toque hábil dos dedos

sobre o couro dos tambores

a despertar os homens.

Sonia Bischain

Text originally published in the book | Texto originalmente publicado no livro Rua de trás (2015)