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photo: Sonia Bischain

 

samantabiotti@yahoo.com.br

 Poetess, writer, storyteller, art-educator, cultural producer and co-founder of Sarau Brasa.

   She develops practices of literacy and literacy for adolescents who are under socioeducational judicial measures.

    Poetisa, escritora, contadora de histórias, arte-educadora, produtora cultural e cofundadora do Sarau da Brasa.

 Desenvolve práticas de letramento e alfabetização para adolescentes que cumprem medida socioeducativa.

Pedra! Morro! Favela! Laje! Gente! Sonho! Mágica!

Em cada beco um sobrevivente
Nas ruas somos suburbanos.
Marginais!
No córrego as doenças
Em cima constroem casas
No alto do morro uma cruz
Ao lado a fé dos crentes
No chão um quase asfalto
Em cima crianças brincam
O sol ilumina uma pequena parte
Na outra só há uma noite fria
E no meio de tudo isso
Vejo um menino que sorri!
Vendo a sua pipa subir
O vento na rabiola passa por todos os lugares que ele um dia espera ir.
Então eu penso.
Não há poesia mais pura e sincera do que aquela que vem da favela!

 
Ghetto

Rock! Hill! Favela! Roofs! Dream! Magic!

In every alley a survivor

In the streets we are suburbans.

Bandits!

In the creeks diseases

On top houses are built

On top of the hill a cross

Next to it the faith of believers

An almost-asphalt ground

On it children play

The sun illuminates a small part

On the other there is only a cold night

And amidst all that

I see a boy smiling!

Watching his kite rising

The wind on the kite’s tail crosses all the places where he wishes to go one day.

Then I think.

There is no poetry more pure and sincere than the one that emergres from the favela!

Periferia

Samanta Biotti

Text originally published in the book / texto originalmente publicado no livro Antologia Coletivo 8542 (2009)

Poetry

Knock, knock

The whisper of the word

reaches the ear

Dizzy...

It squeezes the locked callus of the soul

Freezing the chords

That tied our hands.

Warms up all the fibers of the body

Captures and lapidates the pulled-out roots

Restores, deconstructs, transforms

Forms ties on sad minds.

Sighs…

Soul brings life

Life brings soul

Brings calm life.

Yells up to the lungs of the north

Wets the horizon

Jumps out the fresh water to the salty

Feels, forsees

Changes the crossroads

Turns the tip of the tongue upside down

Aspires to fate.

Guides, tells history

Makes out of the form his plateau

Returns the seed of the tired earth

And makes the most beautiful sunset

Every day without mistrusting anything.

Poesia

Toc, toc
O sopro da palavra
Chega no ouvido
Zonzo...
Aperta o calo travado da alma
Congelando as cordas
Que marravam nossas mãos.
Aquece todos os fios do corpo
Captura e lapida as raízes arrancadas
Restaura, desconstrói, transforma
Cria laços nas mentes tristonhas.
Suspira...
Alma leve vida

Vida leve alma

Leve vida calma.

Grita até os pulmões do norte

Umedece o horizonte

Salta da água doce pra salgada

Sente, pressente

Muda a encruzilhada

Vira de cabeça a ponta da língua

Aspira da sina.

Guia, conta história

Faz da forma o seu planalto

Retorna a semente da terra cansada

E faz nascer o pôr do sol mais indo

Todos os dias sem desconfiar de nada.

Samanta Biotti

Text originally published in the book / texto originalmente publicado no livro Antologia Coletivo 8542 (2009)