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   Poetess and cultural manager. She graduated in social work from Universidade Estadual Paulista - UNESP. She works with Quilombhoje Literatura e Associação Cultural Literatura no Brasil. She is the auth or of the book Coroações - Aurora de poemas, and she also published her texts in several anthologies aiming at black, feminine, and peripheral literature.

     Poetisa e gestora cultural. É formada em serviço social pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Atua junto aos coletivos Quilombhoje Literatura e Associação Cultural Literatura no Brasil. É autora do livro Coroações – Aurora de poemas, e também publicou seus textos em diversas antologias voltadas à literatura negra, feminina e periférica.

photo: Vinão Alobrasil

 
 
Manumission
Alforria

My poetry has liberated itself

It doesnt want to wear corset and stockings anymore

Demands of the opressor.

It wants to go through pages that have never been crossed

To walk with bare feet

To step in the mud of the meadow

To fly on the streamers of colored kites.

It wants to unveil the future by marbles

To sweat in the samba circles

And callous its hands on the drums.

My poetry has left the alcove

It has revealed my secrets

It looked itself on the mirror

It saw the color of its trace

The texture of its commas.

 

It went to macumba and found out about its axé

At the drug den, it saw real life

On the reading, it discovered worlds

It devoured knowledge.

It stopped being an astonished poetry

Full of perfume

With chains of meters and rhymes.

My poetry is free

Signed with red lipstick

Its manumission.

Minha poesia se libertou

Não quer mais usar espartilho e meia fina

Exigências do opressor.

Quer percorrer páginas jamais percorridas

Andar com os pés descalços

Pisar no barro da várzea

Voar nas rabiolas das pipas coloridas.

Quer desvendar o futuro nas bolas de gude

Transpirar nas rodas de samba

E calejar as mãos nos tambores.

 

Minha poesia saiu da alcova

Revelou os meus segredos

Se olhou no espelho

Viu a cor do seu traço

A textura das suas vírgulas.

 

Foi à macumba e descobriu seu axé

Na biqueira, viu a vida real

Na leitura, descobriu mundos

Devorou conhecimento.

Deixou de ser uma poesia deslumbrada

Cheia de perfumaria

Com grilhões de métricas e rimas.

Minha poesia é livre

Assinou com batom vermelho

Sua carta de alforria.

Débora Garcia

Text originally published in the book / texto originalmente publicado no livro Coroações (2016)

Revelations
Revelações

Yes, I accept

My past was black...

And if you ask me

I say, without fear of making a mistake

That my future

Black will be !

Sim, assumo

Meu passado foi negro...

E se me perguntar

Digo, sem medo de errar

Que meu futuro

Negro será!

Débora Garcia

Text originally published in the book | Texto originalmente publicado no livro Coroações (2016)