© AVANGI CULTURAL

 contato@avangicultural.com | skype: avangi_cultural

  • Facebook | Letras e Becos
  • Youtube | Letras e Becos
  • Instagram | Avangi Cultural

letradarosa@yahoo.com.br

 

Allan da Rosa is the author of Vão (poetry, 2005), Da Cabula (Theater, 2006), Morada (poetry, with photographer Guma, 2007), Zagaia (versed novel, DCL, 2008) and Mukondo Lírico - Book-CD (2014). He facilitated workshops, lectures, and course debates all over Brazil, Colombia, Argentina, Mexico and Mozambique. He is a historian, holds a MA degree in Culture and Education, and is a PhD student in Education at the University of São Paulo, his research deals with Daily, imagery and black identity in São Paulo.

Allan da Rosa é autor de Vão (poesia, 2005), Da Cabula (Teatro, 2006), Morada (poesia, com o fotógrafo Guma, 2007), Zagaia (romance versado, DCL, 2008) e Mukondo Lírico (Livro-CD, 2014). Puxou oficinas, palestras, cursos e debates no Brasil e na Colômbia, Argentina, México e Moçambique. Historiador, Mestre em Cultura e Educação e Doutorando em Educação pela Universidade de São Paulo, estudando Cotidiano, imaginário e identidade negra em São Paulo.

photo: personal archive

 
 
Rub against me
Me roça

breast stroke, feet stroke

tasty fit, natural kingdom of movement

coupled, levitate

that I make you a spiral

and you surrender

and I take it out, roll over

laying in a way, your heels are pillars on my  shoulders

your smile toasts my spirit

my chest is the hotness of friction in your thighs

and your ass is kite that is lifted

through the spool of my waist

dancing in the sky of our fable, free

so that the bat slides into your crack

back and forth waist

inherent, adherent, powerful

another light, slow

one more, fortress

and you experience heaven

and you call me to enjoy the prize

until I snatch you

tender breasts pointing

happy pussy

your contemplated malice

there is the gush

in the shells seas are heard

and still beautiful. Bonitezuda

naked

nipples staring tenderly at me

your mouth still with my ginger flavor

It's all bond, your joke

Of happiness, lacrimation

And I mix salt

to the sun’s kiss

peitos do pau, peitos do pé

encaixa saborosa, reino natural do movimento

acoplados, levita

que te faço uma espiral

e se rende

e retiro, e reviro

que deitada, teus calcanhares são pilares em meus ombros

teu sorriso brinda meu espírito

meu peito é a quentura da fricção em tuas coxas

e tua bunda é pipa que se empina

pelo carretel de minha cintura

gingando no céu da nossa fábula, solta

pra que deslize bastão em tua fenda

cintura vai e vem

inerente, aderente, potente

outra leve, vagarosa

mais outra, fortaleza

e tu experimenta o céu

e tu me chama pra gozar o prêmio

até que te arrebatando

peitos macios apontando

boceta feliz

tua malícia contemplada

há o jorro,

no búzio se escutam os mares

e continua linda. Bonitezuda

nua

mamilos me mirando com ternura

tua boca ainda com meu sabor de gengibre

É todo enlace, o teu gracejo

De feliz, lacrimêjo

E mesclo o sal

ao sol do beijo

Allan da Rosa

Text originally published in the book / texto originalmente publicado no livro A calimba e a flauta (2015)

Mess

 When from loneliness there’s no ground or heat,

When together, in our face rains sticky and stinking drool

     and on the back the blind soldier’s rubber,

When our brothers rot filed on cold cement

     or serve as manure for the warm grave,

When, blue, smile is merely a dismembered forgotten memory

     like gringo’s word that has been heard but one can’t pronounce

     it much less explain its meaning,

When the soul plays a sad accordion

     in raw flesh snuggles

     and empties its tense eyes ...

From a corner or a drawing or a whimper

     without noticeable beginning

     comes on the heels the desire to dance rhythmically

     and on the hand the toy to sustain the body, to handstand.

     in the mouth children curses burst, rattling whistles

     bringing a mischievous turn-on.

     And the head articulates uprisings, charms and meetings.

 

A beach is reborn from the puddle. 

Revertério

Quando da solidão sem chão nem calor,

Quando juntos, na nossa cara chove a baba pegajosa e pestilenta

     e nas costas a borracha cega do soldado,

Quando nossos irmãos mofam arquivados no cimento gelado

     ou estercam a vala morna,

Quando, borocoxô, sorriso é mera deslembrança desmenbrada

     feito palavra gringa que já se ouviu e não se sabe a pronúncia

     e menos ainda explicar seu significado,

Quando a alma toca uma triste sanfona

     em carne viva se aconchega

     e se esvaziam os olhos tensos...

De uma esquina ou de um desenho ou de um gemido

     sem começo que se note

     vem no calcanhar a vontade de bailar ritmado

     e na mão o brinquedo de sustentar o corpo, plantar bananeira.

Na boca espoletam xingos infantis, chocalham assovios

     trazendo um tesão arteiro.

     E a cabeça articula levantes, encantos e encontros.

Uma praia renasce da poça.

Allan da Rosa

Text originally published in the book | Texto originalmente publicado no livro Vão (2005)

 

photo: Tally Campos